Gritomudo

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domingo, 31 de maio de 2009

NÃO CONTEI QUE...

(instrumentos utilizados)
... Meu tipo sanguineo é O+. Alguém do grupo O pode receber sangue só de alguém do grupo O, mas pode doar sangue para pessoas com qualquer grupo ABO+ (ou seja, A, B, O ou AB). Pois é, o ato da doação está no sangue que corre nas minha veias. Acho que isso explica essa minha viceralidade diante das coisas da vida. Agora já consigo perceber que as coisas tem graus de importância, mas até há pouco tempo, tudo era extremamente importante.

Ontem nos encontramos, eu e Carina, para falar de nossas produções. As Universiotárias, aliás, parte delas vão trabalhar com poesias de meninas e musicas de meninos e, quanto ao texto de Mariana, agora está fluindo melhor... Eu precisei me distanciar um pouco para ter uma visão mais fria, mais distanciada dos meus sentimentos.


E aí, fui no apê novo! Foi estranho e bom vê-lo sem os enfeites, sem parte dos móveis. Fica mais fácil de dar uma cara mais próxima de mim. Não tenho forno de microondas, máquina de lavar, pratos, talheres, rack ou estante, telefone... E vou assim, mesmo! O pior vai ser ficar sem internet, mas espero que por pouco tempo.

Revi Fernanda e foi bom. Ela é uma referência de um tempo bom. Um bom papo, ela tb é artista, boa conselheira, enfim... Vai ser bom tê-la por perto!


Fico pensando que vou ter que madrugar para ir ao trabalho... Mas, vai dar tudo certo, eu sei!!!


Este mês consegui pagar as contas sem sufoco e sobrou uma graninha, aí que bom! Não vou comprar vestido!!! Serei forte!


Beijos para mim mesma, eu mereço!


"(...) A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical. E quantos morrem com sangue. É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência é amor também."

EU ESPERO ACONTECIMENTOS...

Hoje foi um dia muuuuuito bom! Refizemos a gravação para o Youtube do site do Tadeu: www.egratis.art.br. Estou ansiosa para que fique pronto logo. Quero ver! Esta música (Filme Triste) tem um significado muito especial, pois é uma música que minha mãe gostava muito, uma das suas prediletas. Ela gostava bastante de Trio Esperança. Hoje, enquanto gravávamos, tive uma leve sensação de tristeza. Associei aos últimos acontecimentos, parte da minha história, mas permiti que fosse bem rápido. Aliás, ultimamente tenho me permitido ser verdadeira. Não que eu já não fosse, mas agora me critico, me cobro menos.
Bem, creio que desta vez a gravação me agradará. Depois fizemos uma chamadinha que irá seguir junto com os boletins semanais. Brevemente inspirado em "Ida ao Teatro", de Alcione Araujo, fizemos uma propaganda bem bacaninha do site. Tadeu gostou, suas "pariceras" tb e eu tb! Achei nobre da minha parte ter convidado As Universiotárias para fazer algo que eu poderia ter feito sozinha... Aparecer sozinha, divulgar o MEU trabalho! Tem um tempo que descobri que só não se chega muito longe. Acredito na força do coletivo e, com as meninas (Carina, Aline e Ingrid) descobri minhas "iguais" no desejo, na vontade, na luta e na busca por algo. Cada uma com sua, mas pelo mesmo caminho, de mãos dadas.
E este trabalho com o Tadeu está sendo uma oportunidade muito grande de mostrar o nosso trabalho e de divulgá-lo, tb. O Tadeu e as menias, que são umas fófis!
Hoje o Augusto, irmão dele, estava lá nos assistindo. Rsrsrrs... Causou um certo frisson, pois o rapaz é bonito, viu?!!! Ai, meninas! A gente se diverte horrores juntas.
QUANTO AO QUE ESPERO...
Hoje tava pensando nos dias que se seguirão... Tem data forte se aproximando... E eu, estou esperando algo que eu até poderia chamar de reconquista. Tenho procurado sentir. Sentir as palavras, sentir as ações, viver! Foram muito sábias e precisas as palavras de Fábio e de Carina... Me despertaram para uma forma de viver coisas que eu não sabia que podia. Confesso não estar sendo fácil, mas está sendo um exercício em mim mesma, de mim mesma... Um exercício de amor por mim e pelo "próximo".
Tem algumas passagens me sinalizam coisas boas: falas que que falam de saudade, de coisas de um possível futuro... E um Sol, que creio que me diz que tudo está nas mãos de dois, que não há mais interferência do Universo. Agora é só livre arbítrio! A sorte já nos deu os 50%, os outros 50% depende, agora, de nós!!!

sábado, 30 de maio de 2009

É...

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A Lua vai banhar este lugar e eu vou lembrar vc...

OUTRO TEMPO COMEÇOU PRA MIM AGORA!!!

VOU ME CASAR EM SETEMBRO!!!

Oscar de la Renta

Rsrsrsrrsrrs... A brincadeira tá ficando divertida! É incrível como a notícia se espalhou... Mas, acho que eu ficaria linda de noiva, com um vestido mega tradicional e um penteado bem clássico. Mããããããssss... por baixo, com certeza a saia seria toda desfiada, o penteado, depois, o mais despenteado possível e... casaria de novo, numa cerimônia bem louca! Imaginem o meu bouquet! Ano passado comprei um bouquet lindo de rosas vermelhas, bem sério, bem formal. Meu bouquet seria de 7 ervas!!! Rsrsrrsrrs...

Casar... Há algum tempo não me via nestes papeis (mãe, esposa e dona de uma casa). Aqui em casa somos uma familia de solteiros. Só meu irmão, o mais velho dos homens é que é casado e tem uma filha de 13 anos. De resto, nós, os outro 4 somos solteirões convictos! Aliás, eu acabo que quebrar esta convicção... De vez em quando tenho sonhos de princesa... Aí, acordo!

Não sei o que o Universo conspira (porque em se tratando de Lili é conspiração!!!), não sei até que ponto eu me inclino pra isso, mas... Gostaria de experimentar!

Eu quero, sim, viver história mais que linda, ser mais que feliz... Se estou pronta? Com medo, com receios, mas creio estar. Que seja!

Que sensação boa!!!






Eu estou retornando uma carreira de professora que na verdade mal havia começado. Me formei no Magistério em 1992 e depois disso só dei aulas ou oficinas de Teatro. No ano passado, por ter passado no concurso publico para o cargo de Professora do Ensino Infantil e Fundamental I da Prefeitura Municipal de São Paulo assumi o cargo na EMEI Olga Benário Prestes. Acho que entrei do jeito certo com a Malu na coordenação, as professoras que já estavam na escola e com Cintia e Ruth que tb estavam assumindo. A Ruth como eu, começando! O Universo conspirou para que tudo desse certo. Era longe, era cansativo, mas eu saia de lá com a sensação de missão cumprida. Aí pedi remoção para Mooca e tudo o que senti no primeiro momento, o que poderia ter sido apenas uma impressão, não foi. As cartas tb disseram!


Meu trabalho com as crianças tem sido muito difícil. É uma turma muito difícil! Às vezes me vejo vilã de uma história, mas na verdade, não posso ser tão crítica comigo mesma, pois o que acontece está além do meu alcance assim de imediato. Sinto que tenho o apoio e a solidariedade das minhas colegas, a Coordenado Pedagógica tem se mostrado tão humana e me senti acolhida no seu abraço... E a Ritinha, que é minha amiga, parceira. A nossa sintonia é tão fina que até me espanta!


Por ação do Universo eu dedico meu trabalho às crianças, por meio da Cia. dos Clownstrofóbicos e sempre, sempre fui muito amada por elas. Desta vez não vai ser diferente, porque minha forma de trabalhar é pelo viés do afeto. Não quero e não vou ser mentirosa! Desta vez tem que dar certo, tb!


Agora conto com toda a sabedoria que adquiri nestes 36 anos, com a ajuda de Deus e de meus mentores espirituais. "Eu confio no futuro. Eu confio, creio e tenho fé!!!"

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dori me Interi mo, Adapare Dori me Ameno, Ameno Lantire, Lantire mo Dori me Ameno, Omenare, imperavi Ameno, Dimere, dimere Mantiro, Mantire mo Ameno Omenare, imperavi emulari Ameno Omenare, imperavi emulari Ameno, Ameno dore Ameno dori me Ameno dori me Ameno, Dom Dori me, Reo Ameno dori me Ameno dori me Dori me, Dom... Amém!

Estou ficando boa nisso!!!


Nada como criar no desespero, né?!!! Eu, que sempre afirmei com todas as letras não ter a capacidade de fazer um risco decente, olha aí a prova de que a gente muda quando quer, quando precisa, quando o Universo conspira ou "quando a água bate na bunda!" Eu olho nos livros das histórias que conto e copio. Meus alunos do Segundo A/C dão as dicas. Alguns tem o enorme prazer (considerando a crueldade latente no universo infantil) de dizer que está feio ou horrível (palavra recentemente incluída no vocabulário deles). Sei que eles dizem isto porque têm poucas oportunidades de negarem coisas. No final, eles assumem que meus desenhos estão lindos e não me deixam apagar! E eu fico toda vaidosa... E posto aqui, rsrrsrsrrs!!!

Tá chegando o grande dia!!!

Semana que vem eu me mudo para a casa nova. Saio de São Caetano e vou para Guaianases, morar sozinha... Parte do projeto "Basta".
Há algum tempo eu venho querendo e venho procurando as mais variadas desculpas para ir. Desta vez apareceu uma chance única, que quase deixei passar: um apê novinho todo mobiliado, mega fófis!!! A desculpa? Poder andar de calcinha pela casa, poder deixar as janelas abertas...
Agora eu vou ter que cuidar de mim mesma: limpar a casa, fazer comida, pagar as contas, trabalhar fora, ensaiar minha peça, planejar minhas aulas, cuidar das minhas vaidades, fazer as coisas que me deixem feliz, dormir...
Vou sentir falta dos meus amigos. Mesmo não os vendo com frequência, sei que a Carlota tá aqui na rua de baixo, que pra ir no Fubá San é só pegar o Santa Paula... Faz tempo que não rolam os BCs de meio de semana, mas, em tendo a possibilidade, não poderei mais. Ir no 1,99 da Rua Taipas, comprar bobagem na Coop, ver as lojinhas de roupas onde tudo custa 29,90. E se me der vontade de comer um doce bem melecado de madrugada? Não tem Extra 24h perto! Caminhar pela Goiás e pela Kennedy pra chegar em casa... As dores de barriga, lembra Fubá San??? Não terá mais macarrão às sextas...
Tenho um pouquinho de medo de ficar triste, de cair na solidão, já que tenho tendência de me isolar por vezes.
Vou ficar mais longe do meu trabalho, menos longe do espaço de ensaio, à mesma distância de Carina...
Vou ter um pouco de trabalho deixar a casa com a minha cara, já que gosto de cor. Vou ter um ateliê, com um espelho bem grande para fazer Teatro, dançar, pintar, cantar, dizer poesias para mim mesma. Creio que será a chance de um encontro comigo mesma. Faz parte da busca de ser feliz!
Esta semana irei lá fazer o inventário e fazer a lista do que vou precisar... Preparem-se, pois, em breve, teremos chá de cozinha! Chá de cozinha de moça solteira!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

HOJE É ANIVERSÁRIO DA MAIS VELHA DAS IRMÃS...

... Mas, estou sem coragem de dar-lhe os parabéns...

SOBRE MARIANA ALCOFORADO

Em 2007, às voltas com o TCC, lembrei-me de Mariana Alcoforado. Foi cisma! Levei uma proposta ao grupo de algo que eu não conhecia. Até hoje me lembro da "instalação" com água, velas suspensas, rosas, uma bacia velha e tule negro... Era algo triste, porém delicado. Neste dia eu não me cabia de felicidade: estava ao lado de alguém que despertou em mim o que eu tinha de melhor.
Lembro-me de ter-lhe dito que não desejava aquilo que AS CARTAS PORTUGUESAS descreviam para mulher alguma. Olhei para o céu, através do vidro do carro, respirei e agradeci. Mal sabia que, passados alguns meses, estaria eu muito próxima desta freira, que viveu no século XVII, em plena guerra. As dores eram bem parecidas, os desejos também.
No auge da tristeza, depois de uma conversa intensa com minha querida professora Rita (não conheço nenhuma Rita que não seja maravilhosa!!!), a partir de uma frase dela, quando justificava para si o porque de certos acontecimentos em nossas vidas, decidi que, já que todo aquele turbilhão de sentimentos não cabiam mais em mim, eram maiores e mais fortes do que meu corpo podia suportar, ia transformá-lo em Arte. A Arte à serviço de mim, já que, por muitos anos, eu estive em função dela.
Naquele momento pude contar com minha querida amiga-parceira-irmã-psicóloga e muito amada Carina e com a não menos querida Ana Lucia (Aninha E.V.A. Selvagem). Um dia nos reunimos na praça de alimentação da Universidade São Judas para que eu, simplesmente, lesse as cartas de Mariana. Em poucos instantes tinha uma pequena platéia atenta. Eu não estava interpretando! Estava fazendo minhas aquelas palavras que expressavam tanto amor. Tudo eu estava sentindo naquele momento: saudade, abandono, incorformismo... Tinha tanta coisa ali... e aqui!
E aos poucos fomos levantando idéias, fazendo pequenos laboratórios. Ensaiávamos nas salas-laboratórios da faculdade, aqui no meu quarto, e foram surgindo pequenos textos, frases, leves esboços de cenas.
A dor foi se transformando durante o processo, a compreensão foi se fazendo obrigatória. Fui acompanhando meu próprio processo de amadurecimento.
Saímos das Cartas com a ajuda de Regina (maravilhosa!) Lucia, mestra em Letras, lá de Maringá e mergulhei profundamente na vida desta pessoa intrigante (e cheia de defeitos) que é essa Mariana. Quanto mais a conheço, mais me identifico com a sua intensidade diante dos acontecimentos da vida, do seu incondicionalismo diante do amor.
Mais uma vez, por meio de uma personagem (pois, pretendo tirar esse foco do que é real!), estou fazendo o exercício de ser mulher, de olhar para mim mesma sem tanta dureza, olhar para mim como alguém que também falha, como alguém que erra feio, como alguém que se joga dos precipícios que estão diante do estar viva com medo, mas convicta de que tudo é para o meu bem.
Mariana - por Katherine Vaz
"Acordou a meio da noite na sua cama. Certamente a mãe a deitara lá. Ana Maria estava na cama ao lado, de braços colados ao corpo, a praticar para ser cadáver.
Saltou da cama e, pegando numa tesoura, cortou os longos cabelos negros da irmã. Ana Maria não se apercebeu de nada. Estão a ver? Está morta. Como era gorda demais para ter um marido, umas madeixas a menos não tinham grande importância.
Mariana olhou para suas mãos. Sentiu-se esquisita, ali de pé no chão frio a segurar os cabelos de Ana Maria no meio daquela escuridão. O que a levara fazer aquilo? O cabelo da irmã parecia um pequeno tapete todo desfiado. Escondeu-o por debaixo da cama de Ana Maria.
Acordou de manhã de um sono sombrio e viu Ana Maria e a mãe debruçadas sobre si com Catarina a fazer uma birra atrás delas.
- Corta o cabelo dela! Berrou Ana Maria
- Não fui eu! – murmurou Mariana agarrada a colcha da cama."
"A sua oração naquela noite foi: Hei-de-vencer esta prova e todas as provas. Nada - ser freira , estar encarcerada, viver em tempo de guerra, nada me separará da vida do meu coração. Envia-me todos os obstáculos que quiseres, meu Deus, para que eu possa ultrapassá-los. "
"Sentiu fome, uma necessidade urgente a jorrar. Corria o risco de encontrar Catarina no refeitório. A Irmã Angélica de Noronha ralhou com Mariana por chegar tarde. Serviu-lhe uma concha de sopa e uma côdea de pão para servir de colher. De repente avistou Catarina, vestida com o hábito branco das postulantes e noviças. “O meu estômago está vazio. Por favor, não me dês nenhuma notícia triste!” Catarina fez-lhe um gesto como se dissesse: “Come, Mariana. Peço-te. Não deves culpar-me por te algo para te dizer”. A seguir levou as mãos ao rosto e deixou-as escorregar lentamente enquanto fechava os olhos. Uma máscara da morte.
A Irmã Francisca Freire bateu no peito fazendo sinal a Mariana para comer. “Tem coragem. É preciso que saibas a verdade”."
"Catarina ensinou Mariana a escutar o que se passava para lá dos muros do claustro, a debruçar-se sobre o silêncio interior e deixar-se transportar. Escutou a respiração de Baltazar, assegurando-se assim de que estava vivo. Pelo ritmo da sua respiração, podia avaliar se ele estava com medo. Ansiava por ouvir, e então a sua imaginação inventou o ruído de espadas a cruzarem-se, tiro de mosquete e cavalos a relinchar. Tapou os ouvidos, amedrontada.
Deitou ao lado de Catarina para viajarem juntas. Talvez fosse menos assustador. Deram as mãos e ficaram muito quietas para ver aonde o silêncio as levaria.
- Baltazar! Por que é que não há guloseimas nos santuários às almas penadas?"
"Naquela noite Mariana não conseguiu afastar-se do clamor que reinava no locutório, onde os soldados de visita bebiam e falavam das suas aventuras em voz alta. A Irmã Genebra Nogueira abrira-lhe as portas do convento. A multidão abriu novamente caminho quando Mariana entrou. E lá estava ele. Não sabia seu nome. Era uma silhueta na noite. Andava à procura dela. Avançaram um para o outro ao mesmo tempo, Mariana estendendo as mãos para encontrar as dele. A peruca do capitão estava impecavelmente penteada e a sua farda era a mais resplandecente que jamais vira. Ele colocou-lhes nas mãos uma medalha de São Cristóvão, o Viajante. A medalha queimou-lhe os dedos. Ele inclinou-se e beijou -lhe a mão. Em breve ela estaria deitada, às voltas na cama sem poder dormir, incapaz de ficar dentro da sua própria pele."
"Foi ela que deu o primeiro beijo, para surpresa dele: sentiu-se logo arrebatada no ar, os braços e pernas em volta dele. A mais bela das mulheres, o mais afortunado dos homens.

"Como podia sobreviver até à noite? As suas costelas ainda estavam doridas do peso dele, as entranhas doíam tanto que não sabia ao certo se era devido à paixão dele ou à sua. O fato de o amor causar tanta dor no início não a surpreendia."
"Naquela noite ficou tanto tempo imóvel dentro dela que o sagrado coração esculpido na cabeceira da cama lhe ficou gravado na testa. - És audaciosa e infatigável. Onde é que aprendeste a amar assim?
- Nasci com essa sabedoria."
"- Tens realmente 29 anos?
- Tenho. Já sou um velho.
- Não é por isso. Não consigo imaginar-te com essa idade e ainda solteiro.
- Talvez ainda não tenha encontrado a mulher ideal. – Mas, ao ver sua expressão, apressou-se a acrescentar: - Estava a brincar, Mariana! Espanta-me que todas as tuas ansiedades ainda não te tenham aniquilado.
- Amo-te mais do que a toda a minha vida."
"Seria paciente, mesmo que a sua temperatura oscilasse tão loucamente como na manhã seguinte, passando por tremores quentes a frios, obrigando-a a dar entrada na enfermaria. As suas convulsões levaram a própria Irmã Juliana de Matos a dizer em voz baixa. – Pobre Mariana. Repousa. Desculpa-me por odiar-te.
Perto da meia-noite saiu da cama e arrastou-se até a sua casinha, pois nada era pior do que sentir a falta dele. Ao encontrá-la a tremer, Noel disse:
- O que é que eu te fiz? Não parece tu.
- Sou mais eu do que jamais fui."
"Mariana sentia que, sob o abraço apertado, Noel aguardava que ela o deixasse. Não estava a portar-se como um amante, mas como um cavalheiro. Murmurava os motivos que o levava a deixá-la, fria e ordenadamente, mas a mão acariciava-lhe os cabelos e isso bastava para despedaçar a alma de Mariana. E quando ele voltou a dizer: - Pensa em mim – ela pensou: “O que me restará então? Se eu nunca mais puder voltar a ver-te? Não! Isso é impossível! Ficarei sem olhos? Não te ouvir mais? Perderei as orelhas. Nunca mais me queimar no fogo que nos consome? De que me servirá então o tato?”

" E se tentasse falar seria como cuspir pedaços do seu esqueleto dilacerado. As lágrimas jorravam silenciosas, a boca aberta sem poder falar, a magoa e as palavras escoavam-se do seu corpo ao vê-lo partir."
Primeira carta
"E, contudo, agarro-me com afeição ao sofrimento que me causaste: consagrei a minha vida à tua desde o primeiro momento em que te vi e orgulho-me de ter feito tal sacrifício. Mil vezes por dia envio os meus suspiros para te procurarem por toda a parte, mas e única resposta à única resposta à minha inquietação é uma prudente voz de aviso, frei ao meu triste destino e suficientemente desumana para me proibir a mais ligeira ilusão, que me repete a todo o momento: Descansa, pobre Mariana! Deixa de te mortificar em vão e de procurar um amante
que nunca mais voltarás a ver..."
Quarta carta
"Releu-a várias vezes durante os dias seguintes para ter certeza de que não estava a interpretar mal o que a carta dizia, e depois tirou as pulseiras que trazias escondidas sob as mangas. Despedir-se do São Cristóvão e do retrato do amante custou-lhe bastante mais e ficou a fitar a sua fisionomia até a gravar na memória – como se ele não existisse irrevogavelmente dentro de si. Juntou estas coisas às outras cartas dele. Guardaria esta última, juntamente com outra breve missiva que, compreendia-o agora, ele esperava ser sua ultima carta para ela. Haviam de lembrar-lhe que ele estava a ajudá-la a ser forte. "
"- Endireita as costas, Irmã Mariana. É preciso ter orgulho. Tens de salvar-te a ti mesma.
- A mim mesma?
- E a mim também – Disse a Irmã Francisca Freire – És parte de mim."
"“- Amo-te. Ainda te amo. Hei-de-amar-te sempre. Venero todas as alegrias e sofrimentos que o teu amor me proporcionou. Não quero curar-me do meu amor por ti. Sou suficientemente forte para amar-te, embora talvez nunca volte a ter-te. Serei alguma vez capaz de sentir alegria com as tuas viagens, jantares, o fato de estares bem sem mim? Um dia hei de imaginar- tudo isso sem pestanejar. Hei de ser capaz, meu amor.""
"- Quebrei um voto que me foi imposto. Nunca quebrei o voto que se encontra alojado no meu coração. Nunca, nunca!"
"- Sou uma erudita."
"Tenho 36 anos. Como é que cheguei a esta idade? A minha irmã Peregrina tem quase 16 anos, às vezes penso que estou compartilhando tudo isso contigo, Noel. Mas outras penso que o volume do livro da minha vida continua a escrever-se por si só, quer queiras ou não sentar-te ao meu lado junto à lareira e lê-lo. Quer queiras ou não que a maior parte dele continue a ser colorido pela minha paixão."
"- É muito mais difícil amar do que sofrer. Amar com toda simplicidade, sem termos de nos pôr à prova, é bom. Mas amar após enfrentarmos uma tragédia é heróico. Deverias penetrar no amor e voltar a senti-lo, Irmã Mariana.
- É o que eu faço.
- Não fazes nada. A dor instalou-se no teu espírito como um livro colocado numa prateleira muito alta. Pega nesse livro e abre-o porque o nome daqueles que ama está lá inscrito.
- Não. Mas, Mariana não conseguia desobedecer-lhe. Nessa mesma noite esticou o braço e tirou o livro sobre Noel que se encontrava no interior do túnel sem fundo. Abriu a capa do livro. Dores agudas fizeram-na rodopiar na volta; apesar de as freiras dizer que o tempo curava tudo, nunca deixara de amar Noel."
"“O meu amor continua a visitar-me através de revelações” – pensou Mariana. – “Abençoado sejas, meu amor”."

"- Amo-te. Continuo amar-te. Acarinho todas as alegrias e pesares que o teu amor me deu.
Era o trigésimo quinto aniversário da partida de Noel. O que poderia acrescentar à oração deste ano?
- Não tenho nenhum dinheiro, quem é poderia imaginar tal coisa! Mas, sinto-me incrivelmente feliz. E tu, meu amor? Espero que tenha casado, que estejas próspero e rodeado de filhos. Digo-te isto como se me tivesses deixado ontem. Mas tu nunca me deixaste, nunca, meu querido amor!"

"As cartas de amor começavam sem fazermos idéia do que iríamos dizer e terminavam sem compreendermos o que proclamavam. Na altura não tivera noção do que dissera ao certo, tal como não a tinha agora. O amor não era um recital."

“Agora posso perdoar-te, meu amor, a falta indesculpável de teres lançado as minhas palavras e a minha inocência aos olhos de um publico displicente. Posso perdoar tudo. Posso perdoar tudo e a toda gente, já que te perdôo isto.”

“Pedi para que me fosse enviado um grande e eterno amor e tenho-o sentido já há algum tempo. Só que não aceitei que fosse meu de uma maneira que não imaginara.”

Eu, Eliana, paro por aqui com lágrimas sufocadas no peito, AGRADECENDO À DEUS POR TUDO E POR TODOS: por CARINA, por Regina, POR Aninha, por Fernando, por todos os meus amigos (QUE SÃO TANTOS!!!), por todas as histórias de AMOR que me foi permitido ouvir, POR TER A CORAGEM MAIOR QUE O MEDO e por vc, Jeff!

AGORA SOU COMPLETA: AMEI, ME ENTREGUEI, FUI CAPAZ DE QUERER TUDO O QUE UMA MULHER PRECISA QUERER. FUI ABANDONADA, SOFRI, E AGORA JÁ FUI TRAÍDA... NESTE MOMENTO EXIJO TODA A FELICIDADE QUE ME FOI PROMETIDA. AGORA!

AMÉM!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Depois de diversas tentativas...


... de postar, finalmente consigo escrever algo. A semana começou bem! Me desfiz de angustias, ansiedades... Acho que o Universo me orientou de forma certa. Didática, até! E, no final, deixou-me com minhas decisões. Me permitiu o livre arbítrio! Estou ciente de que a decisão foi minha, pensada, e, principalmente, sentida!

Agora, analisando de forma fria, fui correta comigo mesma e, dentro das possibilidades que me foram permitidas, e agi da melhor forma (possível!) para com meu "cúmplice".

Relevei algumas coisas, em detrimento de outras. Ganhou o que sinto, ganhou "as suas palavras". Percebi contradições, mas percebi também um desejo, um "querer que tudo dê certo". Eu tb quero! Sinto, neste momento uma proximidade do incondicional. Fidelidade, respeito, liberdade e confiança. Respeito é primordial, a fidelidade é algo ligado a moral, portanto tem peso e medida diferenciadas para cada indivíduo. Confiança é essencial... Já a liberdade é uma conquista! Não digo a liberdade de ir e vir, pois nesta ninguém pode interferir, mas digo da liberdade que permite a cumplicidade.

Todas as conversas que tive com meus amigos queridos: Fábio, Du, Carina, Nessa, Milena, Cleber e Bruno foram extremamente importantes, inclusive para que meus pontos de vista fossem ora revistos, ora reforçados. Me senti querida, me senti cuidada... Sinceramente, me senti importante. Pude ver como sou vista por eles! E gostei!!! Agora sei que, mais do que nunca, não estou sozinha e que, uma das coisas mais importantes na minha vida são meus amigos.

Quero dizer que: acredito no que não se vê, acredito em oráculos, acredito e respeito a minha intuição; que permitir que a consciência seja o guia é algo bom.

Agora, neste momento, tudo o que quero é ser feliz. Esta é a minha busca, e embora eu saiba que a vida se resume em "estar em busca" eu quero chegar, quero alcançar, quero ser! E, neste momento eu estou crendo (surpreendendo a mim mesma!) que podemos modificar as coisas, podemos interferir no destino, podemos escrever com uma caneta de cor diferente a nossa história.

Tem tudo para dar certo?

TUNG JEN - a fraternidade e CH IEN - a humildade


Agora depende de mim... e de você!


domingo, 24 de maio de 2009

Não aguento mais!!!

Meeeeu, que angustia!!!
Tô paralisada! Sabe, sensação que o coração vai sair pela boca??? Que vontade de gritar... Mas, não sai! Juro que tô tentando me concentrar em outra coisa. Focar nos meus objetivos... Sim! Mas, não vou conseguir enquanto não resolver esta parada!!! Eu não consigo chorar! Não sai!
Que sensação horrível, horrível, horrível! Socorro! Não há musica que traduza, não há texto que dê conta de servir de válvula de escape! Cara, que merda!!! Puta que o pariu!!! Que merda! Eu não mercia! Eu não tinha que estar passando por isso! Preciso resolver... E continuar! Que dor, cara! Que dor...

PALAVRAS O VENTO LEVA...

O QUE IMPORTA É O QUE SE FAZ E O QUE SE PENSA.

Ai, a musica tocou de novo...

... A do Lulu! Por que? É uma música tão velha...
Por falar em música, redescobri uma do Guilherme Arantes: Grafite. Muito bonita! Não é triste (eu gosto de musicas tristes!!!), mas está na lista das prediletas agora.

"Eu, boi de piranha de minhas próprias dúvidas..."

Graffitti
(Guilherme Arantes)
Incomoda muita gente
Se você vai fundo no que faz
Incomoda o seu caminho diferente
Incomoda um ser humano singular
Na esquina do horizonte com seus olhos
Pixo o muro pra você se lembrar
Tudo o que eles querem é te usar
Saco de pancada, boi de piranha
De suas dúvidas
Alguém que simbolizará
Mesmo sem querer
Uma insuportável vontade de viver
Na esquina do horizonte com seus olhos
Pixo o muro pra você se lembrar...

Depois da tempestuosidade de ontem...


... Estou recolhendo os cacos!!! Nossa , que dia!

Hoje, minha guia de Erê estava estourada! Tb não foi para menos, né?

Não gostaria que minha relação com meus alunos ficasse desgastada. Algumas meninas me chamam de princesa, alguns meninos e meninas dizem que eu estou linda, mesmo depois de ter perdido o bom humor.

Sabia que não ia ser fácil, mas não esperava impacto tamanho. Estou revendo minha prática e minha postura. Mas, sinto que, no momento, preciso da ajuda do que não se vê! Apesar de tudo, a foto acima e a quantidade de desenhos que recebo de presente me dá esperanças e sinaliza de que não estou de todo errada. Tem algo de bom sendo construído!!!

Ufa!!!

sábado, 23 de maio de 2009

Então... Apenas mais uma!

Acabei de ouvir uma história... Traição, segundo um dos lados. Aconselhei, contei histórias, dei exemplos... Agora preciso olhar para mim novamente, mas de uma outra forma. O que são essas sinalizações todas? Alguém pode me dizer? O Universo está conspirando o que?
Os moldes dos acontecimentos são bem parecidos, mas a profundidade é diferente... Agora preciso dormir! Pensar, só depois que eu acordar! Na verdade, acho que não quero mais pensar... Sei o que quero!!!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Capitu e Bentinho

Tô vendo Ivan na tv, no "Tudo que é sólido pode derreter" da Cultura. Admiro muito o talento deste meu amigo!
Acabou de dar um close num pinguim e o tema do programa, que é dirigido para adolescentes, é TRAIÇÃO. Citou-se Dom Casmurro...
Agora vou me encontrar com um amigo que tb acaba de se sentir traido. Espero ter as palavras certas...

VAI LAVAR UMA LOUÇA, VANESSA!!!

http://pinpix.ig.com.br/Widgets.mvc/Visualiza/200905211817130877969?v=1646353

http://pinpix.ig.com.br/Widgets.mvc/Visualiza/200905211843035148503?v=1646392
Quando a pessoa tem imaginação fértil e é uma desocupada, fica fazendo essas coisas. Dá um ligo no link acima!!! Pra acabar uma amizade bastam apenas dez minutos, rsrrsrrs!!! Só por Dadá...

Beijocas, Nessa, querida!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Banda Moral e Bons Costumes

(mais uma vez tocando pra mim)
Agora eu estou seguindo o Blog da Banda Moral & Bons Costumes:
http://blogdamoral.blogspot.com . Visitem! Os caras mais cabras safados que já conheci na vida: falam, falam, falam, mas são todos bons moços, trabalham fora, cozinham, jogam Playstation, enfim...

Aliás, dia 23/05, eles vão tocar aqui em Santo André, no antigo Jazz and Blues. Comemoração do aniversario do selo (selo?) MUSICAL (QUE FIQUE BEM CLARO!!!) do Fegato (Gato Discos). A rua é Pde. Manoel da Nóbrega, mas já é querer muito que eu saiba o número.

Beijos pra vcs, cabeçudos (ops!): Bocca, Largura, Torrada e Rossi.

Caso do acaso

Mais uma vez a Temperança com o 4 de Copas...