Gritomudo

Gritomudo
#gritomudo

quarta-feira, 3 de abril de 2013

I don’t care.

Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. 
Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. 

Não mexo em nada. Não quero. O tempo todo penso “I don’t care”. Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero mais nada. 

De verdade. Não vejo o que é feio e o que é bonito. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maçã. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, dane-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. 

Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. 

Quero não sentir mais nada. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. 

Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care."

Da Tati Bernardi
Via Katia Brito, Facebook.

*Abri a janela da Fidalga pra ver o trânsito parado na Purpurina. Alguém me olhou e acenou e eu... Mostrei a língua e entrei!

- Moça! Moça loira!!! Sai, aí!

Putz, ele vai me esculhambar! Sua tonta, devia ter feito uma brincadeira simpática... Não sei se sou a única loura do prédio, mas ouço janelas abrirem e os gritos insistentes lá embaixo.

Silêncio (ufa!)... Campaínha!

Putaqueopariu, o cara conseguiu entrar aqui!!! Que merda, tô fudida e a porta nem tá trancada, caral...

- Eliana, é o C***!

Uh, menos mal!!!

- Um rapaz deixou isso pra vc...

- Um rapaz? Quem?

- Ah, falou que era seu amigo... E que agora não é mais, É NAMORADO!!!

(RISOS ESCANDALÓTICOS)

- Obrigada, C###!!!

Não vou abrir a porra desse pacote. Deve ter um Ebola!!! Uma ratoeira... Coquetel molotov... Pessoa curiosa... Abri!

"Oi, malcriada! Sua mãe sabe que vc fica fazendo coisa feia na janela? Vc é bem bonitinha pra essas coisas!!! Passo de novo amanhã, às 18h... Fica na janela! Bjs, G####."

Bombons da Kopenhagen...

18h?... Não tive coragem!!!




Nenhum comentário:

Postar um comentário